Chambord: a escada escondida e a salamandra do rei Francisco I
Cara, esse episódio é o do castelo de Chambord. Um castelo gigante, no meio de um parque que não acaba mais, com escada escondida, protocolo pra visitar o rei e uma salamandra desenhada pra todo lado. Neste post eu te conto o que vi e o que me explicaram lá, e junto trago a história com fonte, pra tu conferir.
Tá sem tempo? Assiste o vídeo aí em cima. Se preferir ler, segue o resumo. E se tu perdeu o episódio anterior, o post da adega de Amboise está aqui.
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Ficha rápida do episódio
Item | Detalhe |
Série | Expedição Moto Tour Europa, Temporada 1, episódio 4 |
Título do vídeo | O segredo de Chambord |
Duração | 6 min 40 s |
Lugar | Castelo de Chambord, Vale do Loire, França |
Destaques | Escada escondida, sala de espera do rei, salamandra e o parque gigante |
Quem fez | Mandado construir pelo rei Francisco I; a obra começou em 1519 |
Chegando em Chambord
A gente chegou no castelo de Chambord e, cara, que coisa espetacular. Antes de entrar, me contaram que aquela vila ali do lado era dos trabalhadores que faziam o castelo. E que, enquanto o castelo estava sendo construído, era proibido visitar. Eu caminhei um pouco pelo parque gigantesco, só pra ter noção do tamanho da coisa.
Pelo que me disseram lá, tirando Versalhes, esse é o segundo castelo público mais visitado da França. O primeiro privado mais visitado é o Chenonceau, que a gente já visitou na série. Do lado, tem uma capela linda. E o parque tem uns 13 mil acres, com um muro de 32 quilômetros em volta, e dizem que pra atravessar de um lado ao outro tu leva uns quatro dias caminhando. A galera ainda pode entrar pra caçar, é o que dizem, né.
A sala de espera do rei e a pintura do desafio
Na entrada principal fica a sala de espera. Pra visitar o rei, tu tinha que esperar ali uns 40 minutos, um chá de cadeira real. Tem um chão de cerâmica enorme e uma pintura que tem uma história boa: o rei Francisco I foi se encontrar com o rei Henrique VIII, da Inglaterra, e rolou um desafio de luta. O Francisco tinha uns 2 metros e alguma coisa e deu uma surra no outro. Pouco tempo depois, os ingleses se aliaram com o imperador alemão e a França acabou sofrendo. A lição que eu tirei: antes de falar com alguém importante, não fica bêbado, né.
A escada escondida e o protocolo pra falar com o rei
Aqui é a parte que mais me impressionou. Tem uma escadaria na frente e uma escada escondida nos fundos. Os caras chegavam pra encontrar o rei, e quando subiam pela escada principal o rei já estava lá em cima, esperando. Parecia que ele estava em todo lugar. A gente fez o teste: eles subiram por um lado e eu por outro, fingindo que ninguém sabia que a gente estava ali.
Me explicaram que todas as salas ficam em volta dessa escada redonda, inclusive a sala do trono, pra ninguém se sentir menos privilegiado, entendeu? Obviamente ele era o rei, tinha que respeitar. Lá embaixo, perto da escada, ficava o cofre.
E o protocolo era pesado. Pra encontrar o rei no aposento, tu tinha que se apresentar numa porta, dar vários passos, e se errasse, contaram que os caras te atiravam de balestra lá de cima. Conferiam o teu nome, tu caminhava, tinha que cumprimentar o rei e se abaixar, tudo isso pra ver se estava armado ou não.
O espelho d'água e a origem do castelo
Do lado de fora tem um espelho d'água onde dá pra tirar aquela foto clássica do castelo refletido no chão. No dia tava ventando, então não rolou. E tudo o que a gente vê dali pra frente, até onde a vista alcança, é área do parque de Chambord.
O rei começou esse castelo em 1519. Depois que perdeu a guerra e foi preso, voltou e fez ajustes na obra, e nisso pediu ajuda pro Leonardo da Vinci, que também desenhou. Contaram também que, durante a obra, o acesso era restrito e pouquíssima gente pôde ver o castelo, e que o rei depois mostrou pro imperador alemão pra causar inveja. Dizem que a Alemanha tentou construir um parecido, mas faltou dinheiro.
A salamandra, o símbolo do rei
Olha o símbolo que tá em tudo: a salamandra. Do jeito que me explicaram, é tipo um dragão cuspindo fogo. Eles pensavam que a salamandra era imortal. Como o fogo significa vida, ela cospe fogo, dá vida, e também come fogo. Por isso o Francisco I escolheu ela como símbolo. Bacana isso aqui, hein.
Quantos quartos tem?
Fechando, o castelo tem mais de 400 quartos, tá claro que não dá pra ver tudo. A gente só teve uma noção do lugar, e já valeu a visita.
Um pouco de história pra entender o que a gente viu
Quem mandou fazer e quando. Chambord foi encomendado por Francisco I, e a obra começou em 6 de setembro de 1519. Foi pensado como pavilhão de caça e como símbolo de poder do rei depois da vitória em Marignan (1515). Francisco I quase não ficou lá: as fontes falam em cerca de 50 dias, ou sete semanas somadas. As obras foram completadas depois, no reinado de Luís XIV.
A escada de dupla hélice. No centro do castelo, a escada tem duas rampas que sobem sem se encontrar, e quem está em uma rampa vê a outra pessoa na outra. Nenhum arquiteto é oficialmente nomeado: a influência de Leonardo da Vinci é apontada como forte, mas a autoria da escada não é confirmada.
A salamandra. Aparece mais de 300 vezes no castelo. Foi o emblema escolhido por Francisco I, e a crença popular dizia que ela resistia ao fogo. O lema ligado a ela: "Je me nourris du bon feu, j'éteins le mauvais" ("Eu me alimento do bom fogo e apago o mau").
Os números. As fontes variam um pouco: o site de turismo da França fala em 426 cômodos, 282 lareiras e 83 escadarias; a Wikipédia fala em 440 cômodos, 282 lareiras e 84 escadarias. O parque tem uns 13 mil acres (5.440 hectares segundo o site de turismo), cercado por um muro de cerca de 32 km, descrito como o maior parque murado da Europa. O conjunto é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1981, junto com o Vale do Loire.
Curiosidade: o Campo do Pano de Ouro e a prisão de Francisco I. Francisco I e Henrique VIII se encontraram em junho de 1520, num encontro que ficou conhecido como Campo do Pano de Ouro, entre Ardres e Guînes, com tendas e roupas com tanto tecido dourado que o lugar ganhou esse nome. Henrique desafiou Francisco pra uma luta e perdeu rápido. A festa deixou uma grande impressão, mas rendeu poucos resultados políticos: pouco depois, a Inglaterra se aliou ao imperador Carlos V, que declarou guerra à França ainda naquele ano. Em 24 de fevereiro de 1525, na Batalha de Pavia, Francisco I foi capturado e levado preso a Madri. O Tratado de Madri foi assinado em 14 de janeiro de 1526 e ele foi libertado em 17 de março de 1526.
Fontes: Wikipédia (Château de Chambord), France.fr (9 coisas sobre Chambord), Wikipédia (Francisco I da França) e Wikipédia (Field of the Cloth of Gold). As histórias da visita, como a da escada e a do protocolo do rei, são o que me contaram lá, no vídeo.
Meu veredito do quarto episódio
Chambord é o tipo de lugar que dá pra visitar várias vezes e sempre achar um detalhe novo: a escada, a salamandra, o parque que não acaba. Mas ainda tem mais Loire e mais França pela frente, e no próximo episódio o assunto é o epílogo: a parte mais importante da casa na França. Não perde.
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