A adega é o lugar mais importante da casa francesa (e minha mala sumiu)
Cara, esse episódio é o epílogo, a véspera da nossa road trip de moto pela Europa. Antes de sair, o anfitrião me levou no lugar que, pro francês, é o mais importante da casa: a adega, a tal da cave. Neste post eu te conto o que vi, o perrengue da mala que sumiu e trago também um pouco de história de Saint-Émilion, com fonte, pra tu conferir.
Tá sem tempo? Assiste o vídeo aí em cima. Se preferir ler, segue o resumo. E se tu perdeu o episódio anterior, o post do castelo de Chambord está aqui.
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Ficha rápida do episódio
Item | Detalhe |
Série | Expedição Moto Tour Europa, Temporada 1, episódio 5 |
Título do vídeo | Epílogo: a parte mais importante da casa na França |
Duração | 6 min 58 s |
Lugar | Casa do anfitrião, na França, na véspera de seguir pra Saint-Émilion |
No cardápio | Visita à adega, conversa sobre vinho e o perrengue da mala extraviada |
A adega, o lugar mais importante da casa
O anfitrião explicou que o vinho na França é uma coisa cultural. Segundo ele, por ali já se produz vinho faz uns 1600 anos. E dentro de casa tem um lugar que o francês leva muito a sério: a cave, onde se guarda vinho e outras coisas.
A adega dele fica no meio do salão, é subterrânea e, nas palavras dele, é pequena, mas suficiente. Por que enterrada? Porque lá embaixo a temperatura fica sempre no mesmo nível, ali pela faixa dos 12 a 13 graus, e a umidade também é importante: ele falou em uns 80%. Ainda não está totalmente terminada, o chão é de concreto, mas já cumpre o papel.
O que tinha lá embaixo
Principalmente vinho da França. Tinha champanhe, e ele citou o Pierre Morlet, um champanhe que, segundo ele, a gente não conhece aqui no Brasil. Também tinha garrafa do Vale do Ródano, um pouco da Borgonha, do Vale do Loire e de Bordeaux. Da Borgonha, ele citou o Romanée-Conti. E tinha um Angelus, de Saint-Émilion, que ele fez questão de dizer que não era pra vender. Falou até do tamanho da garrafa, que pra ele também importa, e mostrou um magnum, que é a garrafa grande, de 1,5 litro.
No fim, ele separou um magnum de 2019 pra tomar num jantar simples e bacana com a esposa. Aquele tipo de coisa que eu respeito.
Prazer é coisa séria
Teve uma frase que eu gostei: o francês tá sempre buscando o prazer, e prazer é coisa séria, não se brinca com isso. Champanhe, por exemplo, ele toma todo dia. No Brasil a gente só toma no ano novo, né? Na França, todo dia. Ele ainda abriu um tinto de 2005 que descreveu como uma maravilha de Saint-Émilion, e foi aí que veio o gancho: amanhã a gente dorme em Saint-Émilion e começa a road trip.
A mala que sumiu na véspera
Aí vem a parte menos glamourosa. Não acharam a minha mala. Eu tava só com a roupa do corpo: sem capacete, sem bota, sem luva, sem jaqueta, sem calça, sem os carregadores e sem o tripé. Fotógrafo sem tripé é complicado, né, velho. No dia anterior eu tinha ido no mercadinho comprar até cueca, só pra tu ter noção do nível.
Mas a ideia é não ficar triste. Estava no fim do verão, nos primeiros dias de outono, o que eles chamam de verão indiano, com sol até umas 20h. A viagem seriam uns 10 dias, rumo ao sul, onde tende a ser mais quente, e eu achava que não ia chover. Do grupo, entre as motos tem Harley, Suzuki e BMW, e tem moto diferente, daquelas que nunca chegaram no Brasil. Pra desestressar, um cafezinho, e a gente segue.
Um pouco de história pra entender o que a gente viu
Saint-Émilion, o destino do dia seguinte. A jurisdição de Saint-Émilion foi inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1999. Segundo a UNESCO, foram os romanos que introduziram a viticultura na região, e o vinho ganhou força na Idade Média. Por estar na rota de peregrinação a Santiago de Compostela, surgiram igrejas, mosteiros e hospícios a partir do século XI, e no século XII, sob domínio inglês, a área recebeu o status especial de "jurisdição".
Château Angélus. O Angelus que apareceu na adega é de Saint-Émilion. Pelo que conta o Wine With Seth, a família de Boüard de Laforest se instalou na cidade em 1782. O château foi promovido a Premier Grand Cru Classé B em 1996 e a Premier Grand Cru Classé A em 2012, e em janeiro de 2022 anunciou que sairia da classificação daquele ano.
Por que a adega é enterrada. Uma fonte de enologia explica que o mais importante pra guardar vinho é a estabilidade da temperatura: ela cita uma faixa ideal de 12 a 15 °C e diz que oscilações bruscas podem enfraquecer a rolha e prejudicar o envelhecimento. É por isso que um porão subterrâneo ajuda tanto.
Fontes: UNESCO (Jurisdição de Saint-Émilion), Wine With Seth (Château Angélus) e Wine With Seth (armazenamento de vinho). A parte da adega, dos vinhos e da mala é o que o anfitrião e eu contamos no vídeo.
Meu veredito do quinto episódio
Esse episódio é calmo, mas mostra bem o jeito francês de levar a vida, com a adega como centro da casa. E já deixa o clima da viagem: a gente tá prestes a sair de moto e eu sem equipamento nenhum. No próximo episódio, o capacete não entra! Não perde.
Equipamentos e recomendados
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